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04/08/10
Furo! Rebaixamento do
Goytacaz não é inédito
Uma das
notícias que mais chamou a atenção na semana passada no meio esportivo
fluminense foi o “inédito” rebaixamento do Goytacaz à 3ª divisão (Série C).
Contudo, o fato não é tão inédito assim. Basta lembrarmos do ano de 1993, quando
o Campeonato Estadual do Rio de Janeiro era constituído de 1ª divisão (Grupo
“A”) e 1ª divisão (Grupo “B”). Havia ainda uma 2ª divisão e uma 3ª. Como não
havia cruzamento entre os Grupos “A” e “B”, apenas o acesso e rebaixamento entre
ambos, poderíamos perfeitamente apontá-los como os atuais equivalentes das
Séries “A” e “B” do Campeonato Estadual. Já a denominada 2ª divisão da época era
uma competição que reunia os clubes da antiga 3ª, que hoje seria uma 4ª divisão,
abolida pela FERJ em 2000. Esse módulo compunha-se principalmente de times que
estreavam no profissionalismo a partir de 1991, quando esse confuso modelo foi
criado pelo falecido Eduardo Viana, antigo mandatário da Federação. Aliás, era
tão complicada a fórmula que havia acesso e descenso, nos Grupos “A” e “B”,
tanto ao fim da Taça Guanabara, como findada a Taça Rio. Explicado o modelo,
vamos aos fatos. Em 1993, ao fim do 1° turno (Taça Guanabara), caíram do Grupo
“A” para o “B” Entrerriense e América de Três Rios, que somente naquele ano
protagonizaram na elite o clássico da cidade de Três Rios. Subiram Itaperuna e
Bonsucesso. Do Grupo “B” para a Segunda Divisão não caiu ninguém nesse 1° turno.
Ao final da Taça Rio, desceram do Grupo “A” para o “B”, São Cristóvão e
Bonsucesso (por sinal a última vez que ambos disputaram a 1ª divisão). Do “B”
para o “A” ascenderam Campo Grande e Madureira. E finalmente do Grupo “B” para a
2ª divisão caíram Goytacaz e América de Três Rios.
O Jornal dos Sports, de 4 de julho daquele ano, noticiou que o time alvianil de
Campos vencera o Entrerriense, em casa, por 1 a 0, em partida decisiva válida
pela última rodada, mas o jogo foi suspenso no 2° tempo porque a diretoria do
clube mandante invadira o campo em protesto contra a marcação de um sobrepasso.
No TJD, o Entrerriense ganhou os pontos por 6 votos a 3. Dessa forma, o time
trirriense, que tinha a mesma pontuação do Goytacaz, teve o placar de 1 a 0
proclamado a seu favor, escapando da degola, o que levou ao primeiro, e este
sim, inédito rebaixamento do Goytacaz na história para o terceiro módulo. Da
Segundona para o Grupo “B” subiram Bayer e Barra Mansa. Na foto de Carlos Grevi,
notório fotógrafo de Campos, vemos a apaixonada torcida do Goytacaz.
A volta por cima do Goytacaz
Rebaixado
no ano anterior juntamente com o América de Três Rios, o Goytacaz disputou em
1994 a antiga Segunda Divisão, equivalente ao terceiro módulo do Campeonato
Estadual do Rio de Janeiro. Estreava naquele ano o Nova Iguaçu, sob o comando de
Paulo César Lima. Os outros participantes foram Apolo (Arraial do Cabo), Barra
(Teresópolis), Barra da Tijuca (Rio de Janeiro), Canto do Rio (Niterói),
Carapebus (Carapebus), Ceres (Rio de Janeiro), Coelho da Rocha (São João de
Meriti), Colégio (Rio de Janeiro), Colúmbia (Duque de Caxias), Duque de Caxias
(antigo Tamoio, que só nesse ano teve essa denominação), Everest (Rio de
Janeiro), Heliópolis (Belford Roxo), Italva (Italva), Grêmio Km 49 (Seropédica),
Lucas (Rio de Janeiro), Nilópolis (Nilópolis), Nova Cidade (Nilópolis), Opção
(Rio de Janeiro), Paduano (Santo Antônio de Pádua), Pavunense (Rio de Janeiro),
Rio das Ostras (Rio das Ostras), Rubro Social (Araruama), Tomazinho (São João de
Meriti), Tupy (Paracambi) e União Macaé (Macaé).
Os times foram divididos em 3 chaves regionalizadas. O Goytacaz participou da
chave “C”, terminando a 1ª fase como líder com 10 pontos, mesma pontuação do
Rubro Social, o outro classificado. A fase final foi disputada por Goytacaz,
Rubro Social, Nova Iguaçu, América de Três Rios, Heliópolis e Everest. Os dois
primeiros ao fim dessa fase fariam a final e já estariam classificados para o
Grupo “B” de 1995, que mudaria de nome. Passaria a ser intitulado Módulo
Intermediário. O Goytacaz, com uma campanha impecável, foi novamente o líder
dessa fase final, sendo acompanhado pelo Nova Iguaçu, o segundo colocado. Na
decisão, disputada em 2 de outubro de 1994, O Nova Iguaçu foi o campeão ao
vencer o Goytacaz por 3 a 2, nos pênaltis, após empate sem gols no tempo normal.
Na foto, cedida pelo onipresente Paulo Roberto Rodrigues, vemos exultantes os
atletas do Goytacaz, cena que espero rever em breve.
Disputada a 4ª rodada do Cinquentão em Meriti
No
último domingo (1) foi disputada a 4ª rodada da 3ª edição do Campeonato da Liga
Independente de São João de Meriti, categoria Sub-50 (Supersênior), sob o
comando do secretário de trânsito e segurança do município, Otojanes Coutinho de
Oliveira. Em Vila São João, às 10 horas, o Periquitos, que é presidido por Paulo
Muralha, venceu o Vila São João por 5 a 2. Na Vila Tiradentes, no estádio
Alcério de Andrade, o Coqueiros, campeão do ano passado, venceu o Fênix por 7 a
1. No José da Costa França, em Vila Rosali, o Fazenda bateu o Éden pelo placar
de 2 a 0. Em Coelho da Rocha, no José Amorim Pereira, o Coelho da Rocha perdeu
para o Íris por 2 a 1, para a alegria do presidente Valdir Soares (foto) e da
galera do Jardim Íris, localizado na região de Vilar dos Teles. Folgou o Novo
Brasil. A partida atrasada da rodada anterior entre Fazenda x Novo Brasil ainda
não tem data para ser realizada. Segundo o organizador do campeonato, Jorge
Bastos Formiga, é possível que nem precise acontecer, dependendo do contexto
futuro. A classificação de momento é a seguinte: 1° Fazenda, 9 (saldo 13) e
Íris, 9 (saldo 2); 3° Coqueiros, 7; 4° Periquitos, 5; 5° Éden, 4 (saldo -1) e
Fênix, 4 (saldo -6); 7° Coelho da Rocha, 3; 8° Novo Brasil, 1; 9° Vila São João,
0. A próxima rodada ocorrerá no próximo domingo (8). Às 11 horas, Periquitos x
Fazenda, no José Amorim Pereira, também às 11 horas, Novo Brasil x Coelho da
Rocha, em Venda Velha, perto da usina de lixo, às 10 horas, Vila São João x
Íris, clássico da região, em Vila São João e, às 11, Éden x Coqueiros, em Éden.
Folga: Fênix.
Tomazinho se prepara para o Iguaçuano de Juniores
O
presidente do Tomazinho, Malaquias de Jesus, o Quinha (foto), está eufórico. A
sua equipe está se preparando, sob o comando do técnico Ziza, para a disputa do
Campeonato Iguaçuano de Juniores, promovido pela Liga de Desportos de Nova
Iguaçu, presidida por Luiz Carlos Pina. A mesma base será mantida para o
Campeonato de Adultos da Liga Independente de São João de Meriti que terá o seu
início após o término do Cinquentão. Quinha não vem medindo esforços para que o
Cruzmaltino de Meriti retome o seu lugar no futebol profissional, uma vez que o
time foi campeão invicto da 3ª divisão de profissionais, em 1986, quando subiu
juntamente com o Nova Cidade, que começava a sua histórica escalada rumo à 1ª
divisão. Para tanto, vem mantendo contatos com empresários para que o clube não
seja desfiliado da Federação, visto que esteve ausente das competições em 2009 e
2010. Sorte ao Tomazinho desse admirador, que aos 10 anos de idade, assistiu no
Maracanã ao duelo com o Coelho da Rocha, numa preliminar de Vasco x Flamengo.
Bons tempos em que os times das divisões menores eram patrocinados pelo fulano
da padaria, cicrano da farmárcia e beltrano do posto de gasolina.
Escudo da semana: Nacional, de Duque de Caxias
Fundado
em 14 de dezembro de 1955, o Nacional Foot-ball Club foi a maior glória do
futebol caxiense antes do advento do Duque de Caxias Futebol Clube no cenário
esportivo, visto que atualmente representa com sucesso o estado do Rio de
Janeiro na Série B do Brasileiro. De uniforme semelhante ao da Seleção
Brasileira, o Nacional era presidido por Narciso Marques, um abnegado
desportista que tinha um escritório de contabilidade no município. O time, em
1959, foi o 3° colocado do antigo Campeonato Fluminense, quando chegou às
semifinais da competição, sendo eliminado pelo futuro campeão, Fonseca Atlético
Clube, de Niterói. No mesmo ano foi campeão da tradicional e saudosa Copa do
Vale do Paraíba e do Torneio Início da mesma competição. Em 1957, ganhou o
Campeonato de Futebol Profissional da Baixada Fluminense. Finalmente, em 1983,
venceu o Campeonato Estadual da 3ª divisão de profissionais. Disputou a
Segundona por dois anos, retirando-se posteriormente das disputas por conta do
falecimento de seu único incentivador. Para os amigos saudosistas e
colecionadores, o escudo do Nacional, que permanecerá na lembrança daqueles que
o acompanharam e admiraram. Mandava os seus jogos no antigo Municipal José
Gaspar Corrêa Meyer (Maracanãzinho de Caxias) hoje intitulado Estádio Municipal
Mestre Têle Santana.
*Errata
>> Por conta de um erro de digitação, noticiei na coluna passada que o E.C São
João da Barra havia sido fundado em 31 de julho de 1999. Nada disso! Foi em
2009. Desculpem a minha distração. Por sinal, parabéns ao clube pela inédita
promoção à Série B de 2011. Parabéns também ao Barra Mansa, pela campanha
impecável, e ao Serra Macaense por terem conseguido também o acesso. Lamento
pelo Três Rios, mas um, infelizmente, teria de ficar de fora. O Tricolor
Trirriense perdeu gás no final e pereceu.
Um grande abraço, amigos, e até a próxima semana com mais notícias e novidades.
Até lá!!!.
* André Luiz Pereira Nunes é professor, pesquisador e historiador do futebol
carioca, além de mestrando em literatura brasileira pela UERJ.
>> Email para essa coluna:
adrnunes@hotmail.com
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