09/03/09

Futebol é brincadeira!

Clébio Luiz

“Futebol pra mim é uma brincadeira”. A frase é de Neymar (foto), a nova revelação do futebol brasileiro, após a vitória do Santos sobre o Oeste, no último dia 7. O time da Vila Belmiro está tratando o meia-atacante como uma jóia rara e já fixou seu passe em 30 milhões de euros, algo em torno de R$ 90 milhões.
E para Neymar (que mais parece nome de poeta do que de jogador), de apenas 17 anos, futebol é brincadeira mesmo! Ele entrou aos 20 minutos do segundo tempo, após ter seu nome gritado pela torcida, e mostrou logo para o que veio: com poucos minutos em campo, ele recebeu pela esquerda e deu um passe primoroso para o lateral Triguinho, que chutou para fora. Logo depois ele ‘mandou’ uma ‘entortada’ no zagueiro e chutou forte, acertando o travessão. Ficou a dúvida se ele bateu direto pro gol ou cruzou. Mas, como se trata de um craque, ele bateu para o gol mesmo e não se fala mais nisso. O garoto é tão bom de bola que o Santos renovou seu contrato por cinco anos!!
O grande problema agora é fazer com que Neymar não se deslumbre com o mundo da fama e não seja logo alçado como um jogador fora-de-série, pois corre o perigo de se mascarar. Na década de 80, o então técnico do Flamengo, Carlos Alberto Torres, lançou o jovem Ademir Chagas, mais conhecido como Bigu, no time principal do Flamengo. Ele entrou durante uma partida e jogou muito. Pronto! Foi a senha para que Carlos Alberto Torres criasse a célebre frase: “O meu time é Bigu e mais 10!”. Isso em uma equipe que tinha Zico, Júnior, Mozer, Leandro, Adílio e outras feras. Resumo da ópera: Bigu não teve estrutura para lidar com o sucesso e ficou deslumbrado. Depois ele não foi mais o mesmo e peregrinou por diversos clubes do Brasil.
O técnico do Santos, Wagner Mancini, disse que irá lançar Neymar aos poucos, justamente para evitar a superexposição do jogador. Mas é de dar dó ver um talento como Neymar sentado no banco de reservas. É opção do técnico!
Neymar é daqueles jogadores diferenciados, de drible fácil. Joga de cabeça erguida, tem passadas largas e passes primorosos. Tem a ginga e a molecagem de Robinho e a habilidade de Rivelino. Entusiasmado após a estréia, Neymar citou vários de seus ídolos, inclusive o atacante Roni, seu companheiro de clube. Neymar, tudo bem que você quis fazer uma média, mas ter Roni como ídolo já é demais!
Mas que o torcedor do Santos não se iluda, pois a qualquer momento aparecerá um clube europeu querendo reduzir a multa rescisória (R$ 90 milhões) e levar o garoto para brilhar nos campos do Velho Continente, tal como aconteceu com Robinho, Alexandre Pato, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno (atualmente no Corinthians), entre outros.
Ah, já ia me esquecendo: enquanto Neymar ‘deitava e rolava’ no Pacaembu, Da Silva, jogador da Cabofriense, não conseguia acertar um passe de meio metro para o companheiro no Maracanã, na partida contra o Flamengo. E pensar que o Da Silva já jogou no Flamengo e no Vasco da Gama! Pobre futebol brasileiro...
Atenção Neymar: se o técnico Wagner Mancini disser: “O Santos é Neymar e mais dez”, corra logo para ele e rebata de primeira: “Não professor, pelo amor de Deus! Alguém já disse algo parecido com isso e acabou com a carreira do jogador”!
Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém! Ainda mais para quem vale R$ 90 milhões!

Clébio Luiz é jornalista.

# E-mail para esta coluna: clebioluiz@gmail.com .

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