|
30/09/09
Quem tem Cuca, tem medo!
* Clébio Luiz
Está virando exercício de paciência assistir aos jogos (jogos?) do Fluminense. A
cada dia que passa o time se aproxima mais da Segunda Divisão. Os jogadores não
são culpados. Culpado é quem os contratou. Parreira, Vinícius Eutrópio, Renê
Simões, Renato Gaúcho, e agora Cuca. Nenhum deles conseguiu uma varinha mágica
para tirar o Fluminense do buraco. Aliás, Cuca já tem know-how, pois em 2004
levou o Grêmio à segunda Divisão.
Cuca passou a vida toda lutando para ser campeão, bateu na trave três vezes pelo
Botafogo contra o Flamengo, e cultivou sempre aquela cara de quem está indo para
a forca. Este ano ele foi campeão pelo Flamengo, em cima do Botafogo e festejou
seu primeiro título como treinador. Mas, de uma hora para outra ele foi
demitido, sumiu, e aterrissou no Fluminense como salvador da pátria.
Com jeito emburrado, como pode Cuca animar alguém com aquela cara? Na preleção,
os jogadores devem ficar assustados. Mas, animando ou não, Cuca embarcou em uma
tremenda furada e não conseguiu dar padrão (nem ele, nem ninguém) ao atabalhoado
elenco (ou seria bando?) do Fluminense. A cada rodada o torcedor não lembra mais
desse time, que mais se parece uma carroça na competição: Rafael, Mariano, Gum,
Luiz Alberto e João Paulo; Diguinho, Maurício, Marquinho e Conca; Adeílson e
Kieza, entre outros. Tirando o argentino Conca, o restante não tem vaga nem no
Arranca Toco Futebol Clube de Capão Redondo. Mas da “Máquina” dos anos 70
ninguém esquece. Veja que timaço: Renato, Carlos Alberto Torres, Edinho, Miguel
e Rodriges Neto; Carlos Alberto Pintinho, Gil, Paulo César Lima, Doval, Rivelino
e Dirceu.
O Fluminense de hoje é um time assustado. Um dos poucos a se salvar do desastre
é o argentino Conca, que na vitória por 3 a 2 contra o Avaí, no último domingo,
formou o meio-campo com Diguinho e Urrutia. Diguinho é outro que até agora não
justificou sua contratação, pois não acerta um passe de um metro. Mas bater é
com ele mesmo!
Alguns comentaristas dizem que o problema do Fluminense é psicológico. Neste
caso, o técnico Cuca, com aquela cara desanimadora, é o menos indicado para
animar o elenco. O treinador tem um perfil e uma cara de quem está assustado ou
sem confiança.
Mas a diretoria é a principal culpada pela atual situação do Fluminense, pois
contratou indiscriminadamente e trocou de treinador diversas vezes. Com todo
respeito ao profissional, mas jogador como Fabinho não pode atuar pelo
Fluminense.
O barco ainda não afundou, mas o comandante Cuca navega em mar revolto e em
águas turvas. A embarcação está à deriva, mas ainda pode atravessar a tempestade
e chegar a um porto seguro.
Por incrível que pareça Cuca - neste caso a Cuca - só está metendo medo no Sítio
do Pica-Pau Amarelo, onde atormenta Emília, Narizinho, Visconde de Sabugosa e
outros personagens da obra de Monteiro Lobato.
Sem trocadilho, mas Cuca precisa colocar a cabeça no lugar para evitar o pior. O
torcedor não acredita muito que o técnico fará milagre. O time pode até escapar
do rebaixamenteo, mas, quem tem Cuca, tem medo!.
Clébio Luiz é jornalista
E-mail: clebioluiz@gmail.com.
# E-mail para esta coluna:
clebioluiz@gmail.com
. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- |