01/06/10


Série C e Grupo X da Segundona

Às vésperas do início da terceira fase da Série C, que afunilada pelas duas fases anteriores, contará com oito equipes, destaque para o surpreendente Esprof, único invicto na disputa, e com o vitorioso e experiente Jairzinho. Em tempos de África é, para muitos, uma zebra das maiores, mas conta com bons jogadores que podem ir mais além. Campo Grande, que é o único dos oito que já frequentou - e como, e com que saudosos times - campeonatos com os grandes, enfim, o único que já esteve até na elite do Brasileiro, tem tudo, pela tradição e pelo comando sereno, seguro e competente do técnico Valdir, para voltar à B, da qual novamente saiu no ano passado. Clubes do interior e os que contam, ou não, com o supedâneo de suas respectivas prefeituras podem - e devem - brigar pelas vagas, indene de dúvida. Destaco, o Serra Macaense, o São João da Barra (a cidade quase teve um representante subindo, há dois anos) e o Três Rios, cidade que já contou com dois clubes concomitantemente no que hoje chamamos de Série A, do Rio. É uma cidade que ama futebol e uma praça que merece ter um bom representante. Mais um que pode fazer bonito, pela seriedade do trabalho, é o Rio de Janeiro, que conta com destacados jogadores que vi, no ano passado, conquistando o campeonato estadual de juniores da Série C, na grande final com o Leme, nas Laranjeiras. Sem contar que Ênio Farias é um dos grandes reveladores de talentos do nosso futebol.
No Grupo X esperanças renovadas, conceitos revistos, dispensas e soluções caseiras darão o tom à disputa para evitar o rebaixamento de uma equipe, visto que Rio das Ostras e Riostrense já caíram. O São Cristóvão, agora comandado pelo técnico Zila Cardoso, que dispensou alguns jogadores, mas ainda conta com a segurança de Léo Flores e o oportunismo de Carlão, recorrerá a jogadores da base que ele próprio comandava e que vem fazendo excelente campanha no certame de juniores, liderando sua chave. A Portuguesa, de Marcelo Buarque, aproveitou o hiato para recuperar jogadores, trabalhar com afinco a parte técnica e tática e também liberar alguns. No Angra, a promessa é de um novo espírito de luta, ao que me garantiu Rui Mendes, comandante da equipe da Costa Verde, com mais motivação por conta de melhores condições, e trabalho intensificado em até dois períodos. No Goytacaz do técnico Edivaldo Trindade, que por pouco não conduziu a equipe à segunda fase, a única preocupação da sua imensa e fiel torcida é a perda de dois mandos de campo. No mais, confiança em dias melhores que já podem voltar com uma campanha sem percalços. No Mesquita, o técnico Paulo Roberto precisará dar aquela injeção de ânimo no grupo alvinegro para evitar um novo rebaixamento, e que contará com os experientes Argeu e Edson dentro de campo. Finalmente, Getúlio de Oliveira, que há anos comanda o Profute, terá que mostrar que realmente tem o seu jovem grupo nas mãos, principalmente por ser o clube, não obstante as boas condições de trabalho, ser o de menor tradição dentre os que tentarão fugir do rebaixamento.

+ Rio Branco e Vitória decidem o campeonato capixaba que não tinha duas equipes da capital nas finais havia 25 anos, quando o próprio Rio Branco foi campeão pela última vez ao derrotar a Desportiva Ferroviária. De conhecidos do Rio de Janeiro, Dé, o Aranha, é o técnico do Rio Branco (que foi campeão como jogador em 1985), e na equipe azul que leva o nome da capital do Espírito Santo, o meia Siller (ex-Americano) é o destaque. Na primeira partida, disputada no último sábado, deu Rio Branco 1 a 0, com gol no apagar das luzes.

+ Um campeão do mundo na Série C. É o que garante para muito em breve o investidor e dirigente Sergio Vieira (foto ao lado de Nunes), do Serra Macaense FC, após conversações com o ex-centroavante Nunes, aquele mesmo heroi do título nacional do Flamengo em 1980 contra o Atlético Mineiro no Maracanã e do mundial em Tóquio, no ano seguinte, nos 3 a 0 sobre os ingleses do Liverpool. Feliz com a campanha da equipe verde, o dirigente macaense tem como escopo precípuo o trabalho na base. "Contamos com uma boa base, temos dezesseis jogadores participando de um torneio de jovens na França, e o nosso principal fruto é o atacante Geovani, um dos destaques do Quissamã na Série B. Subir de divisão é questão de tempo, mas vamos seguir investindo nos jovens", explicou, afirmando que pretende construir o futuro do clube com força nativa.

+ Baiano e Elenílson (foto), ao lado do preparador-físico das categorias de base da AA Portuguesa, Thiago Martins, estão trabalhando com afinco para que a representação da Ilha volte a revelar grandes jogadores em breve. Falar do clube do presidente Antônio Augusto Abreu e não falar de Baiano e Elenílson não tem sentido, tamanha a identificação de ambos com as coisas lusas. Volta e meia converso com eles sobre jogos memoráveis da Portuguesa, principalmente a vitória de 3 a 2 sobre o Flamengo, em 1982. Três anos depois, um novo triunfo só que pelo escore mínimo.

+ Mais uma sobre identificação. Impossível falar de Cabofriense sem lembrar do goleiro Flávio (foto). Ao lado de Alex Brandão (também na foto), seu treinador específico, fiz questão de abordar um tema curioso, que é ser "comandado" por um profissional da mesma faixa etária, numa posição que normalmente requer maturidade. "Eu e o Alex começamos juntos no futebol e várias vezes nos enfrentamos em jogos entre Campo Grande e Bangu, clubes em que fomos formados. Chegamos, inclusive, a fazer parte juntos do elenco do Bangu na Série B de 2005, e quanto à idade não vejo qualquer problema, pois hoje em dia há treinadores de goleiros até mais jovens que os próprios goleiros", explicou.

+ Das arquibancadas para a diretoria. André Luiz Queiroz (foto) é hoje um dos alicerces na organização e estrutura do futebol do Bonsucesso FC que, segundo seus torcedores apaixonados, nunca esteve tão perto do regresso à Série A do Rio de Janeiro. Torcedor convicto do Bonsuça, André chefiou torcida que acompanhava a equipe em vários estádios e acabou chamando a atenção do presidente Zeca Simões, que o nomeou - com total justiça - seu assessor. O trabalho é sério e o clube vai ganhando aos poucos contornos de modernidade, contando com um site sempre atualizado.

+ Profissional dos mais gabaritados manifesta desejo de regressar ao futebol brasileiro: Nardo Siqueira, preparador-físico que há três anos trabalha no futebol do Catar, e que por aqui já trabalhou não só na base como nos profissionais, em clubes como Flamengo, Botafogo, Bragantino, além de seleções de base e, pela América Central, no Panamá e no México. Seu último trabalho no Brasil foi em 2003, quando esteve na comissão técnica do acesso do Boavista SC à então primeira divisão (hoje Série A) do Rio.

+ Quem frequenta os estádios da Zona Oeste há algum tempo sabe que não tem lugar melhor no Rio para fazer um lanche. O Campo Grande quando mandava os seus jogos no Ítalo Del Cima tinha sempre salgadinhos dos mais saborosos e que eram oferecidos à imprensa, dentre os quais uma empada deliciosa. Em Bangu, quem merece destaque é o bar do Pagliuca (foto), pernambucano de Olinda, lá no Ceres. Na Rua da Chita, os salgadinhos - principalmente o pastel - dos mais variados sabores (sendo que o de carne é delicioso, "com quase um quilo de alcatra", segundo o homônimo do ex-goleiro italiano) são quase que imbatíveis. Só a pimenta que é fraquinha.
 

E-mail para esta coluna: menezes.fabiode@gmail.com

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